Fim de tarde na Firjan


Os jovens do programa Despertar para a Moda


Enfim, hoje ouvimos a Firjan sobre a troca de Eloysa Simão por Paulo Borges, no comando do Fashion Rio. O próprio presidente da entidade, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira convocou repórteres de moda para explicar a mudança.
Vamos por parágrafos:

“estávamos saindo do nosso foco da Firjan, o de fomentar a indústria, qualificar a mão-de-obra, atender às demandas dos associados. Não podíamos mais continuar saindo do objetivo, tratando de montagem de tendas e cachês de modelos.”
“em agosto do ano passado fomos procurados por um grupo do banco Pactual. Foi uma conversa rápida, sem muita importância. Em dezembro, eles voltaram com outra proposta. E em março, enfim, aceitamos a proposta final. Um contrato de 10 anos para o empreendimento do Fashion Rio”.
“Não sabia que a luminosidade era sócia do Pactual, nem conhecia o Paulo Borges. Agora conheço, achei ótimo”.
“Vamos fazer o Fashion Business, a bolsa de negócios que é o grande diferencial do evento”
“A Eloysa foi fantástica, uma grande parceira. Mas a vida é assim. Era uma proposta quase milagrosa, que resolveu o impasse”.

A reunião foi no imponente prédio da Firjan, no conforto de uma sala onde foi possível ver o material gráfico do evento. O ícone é o desenho de um robô meio toy-arte, criado pelo Oestudio, com elementos de indústria e moda, como tesouras, alfinetes e tubos. Na parte de dentro dos convites e folders, uma foto revela uma nova menina dos olhos da Firjan: o programa Despertar para a moda. Trata-se de um esforço no sentido de atrair para as técnicas da confecção e modelagem os adolescentes de 13 a 14 anos. Por enquanto, desde o ano passado o Despertar trabalhou com alunos de uma escola do SESI em Jacarepaguá, mas em breve será aplicado também em comunidades carentes.
Estas primeiras turmas contaram com padrinhos importantes. Jaqueline de Biase, da Salinas, Carlos Tufvesson e Alessa Migani conversaram com a meninada e contaram como pode ser muito mais empolgante trabalhar com moda do que com informática, que é o sonho de profissão dos jovens.

É uma fase de mudanças e transformações. Negociações e acordos novos. De toda esta conversa, conclui-se que o Despertar, se for levado a sério e continuar no ar, pode ser o fator renovador da moda brasileira. Os desfiles e eventos são vitrines para que os jovens mostrem os resultados do Despertar para a moda.

Intervalo / bem, não exatamente um intervalo. Foi um tempinho antes da entrevista, enquanto esperávamos a decisão se seria um encontro no terraço ventoso da Firjan ou em alguma sala no interior do prédio (onde foi, afinal). Tempo suficiente para documentar como se vestir para uma coletiva: Elda Priami, da agência que atende ao setor de moda da Firjan, estava de pantalona preta e blusa branca, sapatilha de bico fino. Patricia Rocha, do site Glamourama, preferiu o jeans branco e o xale palestino. Heloisa Marra, do site do mesmo nome, de preto, mas com uma sobreposição marrom-escuro. Carol Novaes, do Globo, de chemise preto. Quer dizer: o preto predomina nesta temporada meio fria e ventosa, em fim de tarde.



Carol, do O Globo Elda Priami



Patricia Rocha, do Glamourama Heloisa Marra






















Programa de segunda

Nada de compromissos na segunda-feira, dia 25: tem que ter um dia de concentração para encarar a expo Yves Saint laurent / viagens extraordinárias, que abre às 20h no CCBB (rua Primeiro de Março, 66, no Centro do Rio de Janeiro. Faz parte dos eventos do ano França / Brasil, e vem com fotos, modelos, os famosos cartões de Natal que o próprio Yves desenhava, sempre com a palavra lOVE escrita.
O convite da expo mostra o cachorrinho favorito do estilista, o Moujik. Na verdade, este já era o Moujik IV, depois que três já estavam no céu dos totós. Vale ver as cores e a combinação de verdes e amarelos com vermelho-pink no coração.

Os convidados que não quiserem gastar os R$60 de táxi de ida e volta (em média, da zona sul ou da Tijuca), podem aproveitar o valet service do shopping leblon e depois embarcar no transfer especial direto para o CCBB. O problema nestes casos é sempre a volta. Quem sabe, como o patrocínio é da Citroën, quem sabe tenhamos uma frota de carros maravilhosos a postos para os convidados?

Faltam 19 dias para o Fashion Rio

O recomeço da Mara Mac

Mara MacDowell buscou no começo de tudo a inspiração para a coleção Verão 2010.
A origem, o simples e o prazer de ser. Tudo, traduzido em conforto e tecnologia, em tons de branco, estampas de células, imagens de desertos e paisagens inóspitas.
Muito trabalho artesanal, moulages e dobraduras. Pespontos inacabados e recortes. Como uma tela branca, pronta para o recomeço.
Segundo Mara, que desfila no domingo, dia 7, a coleção representa um resumo de metáforas e esperanças, perfeita para encerrar a primeira década deste novo milênio.

faltam 21 dias para o Fashion Rio

Cláudia Simões repete e aprofunda a experiência do evento de inverno: mais uma vez convocou Luciano Canale, da Santa Ephigênia, para assinar o estilo ao seu lado. O conceito é dela, e partiu de uma blusa comrpada em um brechó de Nova York. "Bem velhinha, rasgada, sem uma manga nem gola. Com manchas de guardada. Mas com uma estampa linda, de vitórias-régias", contou hoje, sexta-feira, em almoço japa. Daí veio a coleção amazônica, que pensa também na lenda da menina índia muito bonita, que se transformou na flor que bóia nas águas.
O desfile será orgânico e ao mesmo tempo, urbano. Em vez de penas e cocares, o styling traz acrílicos e óculos coloridos. Claudia quer o Luciano no estilo, porque anda precisando de tempo para administrar as seis lojas próprias, mais as franquias de Campinas, Macaé e Fortaleza, e a partir de agosto, mais Natal e Brasília

Boa surpresa na Dutra

Aquela velha história de que hotel de beira de estrada era sempre de má qualidade, poeirento, barulhento e ineficiente acabou. Pelo menos é a impressão que fica de um fim de semana no Baobá, hotel na Via Dutra, na região de Taubaté.
Reservado depois de uma pesquisa na Internet, o local revelou-se fiel às imagens da telinha. Uma entrada com uma fonte de formas geométricas (ih, desligada, na hora que chegamos), bom estacionamento, gente amável na recepção. Cartão magnético em vez de chave (oba, é moderninho), no caminho dos quartos, a piscina.

Ou melhor as duas piscinas retangulares, estreitas, na medida certa. Quem precisa de uma olímpica em fim-de-semana? Corredor limpo, no meio do caminho um jardim-de-leitura, com banquinho, jardim, silêncio.

Nos quartos, boas camas, piso frio, branco, ar condicionado e TV das fininhas, full HD. Chuveiro maravillhoso, de regulagem fácil. E wifi gratuito! Às vezes um pouco lenta, mas uma conexão muito razoável, principalmente para quem sempre leva trabalho para fazer, descarrega fotos, envia montes de textos.




No café da manhã, um bufê diversificado, com bolos, salsichas, ovos, iogurtes. Não sei por que, o pão em São Paulo não é maravilhoso, mas não compromete. Nem tudo pode ser perfeito, afinal.
Há refeições (cobradas à parte), os pratos são fartos. Boas sopas.
Outra coisa incômoda é a curva que se faz para chegar no hotel. Um verdadeiro cotovelo, súbito, que acaba em uma subidinha. Teria medo de chegar pela primeira vez à noite, porque fica difícil distinguir o caminho certo.

Aliás, nunca vi tanta rotatória como em Taubaté! Lembrei da primeira vez que dirigi na Inglaterra, onde as estradas secundárias têm rotatórias, que lá são os roundabouts. Parece simples, basta dar uma voltinha? Nada disso: lembrem que o carro tem o volante do lado direito, a mão é do lado esquerdo e é uma dúvida absoluta encarar um roundabout: vou para que lado, esquerdo ou direito? Se fosse na França, meu carro teria prioridade, porque lá a prioridade é de quem entra pela direita. E na Inglaterra? Fui pelo instinto, rezando para São Cristóvão.
Diante desta lembrança, Taubaté pareceu tranquila.


Voltando ao Baobá, dava a impressão de ser um hotel recém-inaugurado, de tão novinho. Pois já tem nove anos, o que confirma a boa manutenção. Gostei.

Baobá Hotel
(12) 3609-8000
www.baobahotel.com.br

Quanto à Via Dutra, continua com umas obras intermináveis. Mas o que me intriga é a diferença entre o trecho paulista e o do Rio: por que temos tão poucas opções de paradas decentes para o lado de cá? Depois do Graal de Rezende, só a Casa do Mamão (piada com a do Alemão). E uma Produtos da Roça, decepcionante. Ah, na volta ao Rio, evitem a primeira barraquinha de bananas: mais cara do que qualquer Zona Sul. Uma dúzia, R$ 4!
Na foto do quarto, sobre a cama, está uma boa comprinha para fazer a bordo dos aviões da Air France: uma bolsa de nylon, resistente e dobrável, com espaço para tralhas diversas...


Faltam 22 dias para o Fashion Rio

Menos de um mês para a estréia da nova fase do Fashion Rio. Lugar novo, armazéns do cais do porto, direção nova, da Luminosidade, de Paulo Borges e dono novo, o grupo InBrands.
Hoje, a turma da Maria Bonita Extra, que abre a agenda de desfiles (fora o Rio Moda Hype, no dia 5), está reunida de portas fechadas, tomando as decisões para fazer bonito na passarela. Alberto Renault vai dirigir, Pedro Salles faz o styling, Ana Magalhães assina a coleção, Hiluz del Priori faz a consultoria e a aprovação final fica por conta da Malba Paiva e do Alexandre Aquino.
Até para bater na porta é preciso cuidado, para não perturbar o andamento da reunião. Alguém ainda duvida que moda é assunto sério?


Agenda Rio Moda Hype

A turma dos novos ganhou espaço no Fashion Rio. Espaço nobre, já que cabe aos 12 selecionados fazer a abertura do evento. Desfilam todos no primeiro dia, em dois horários, 19 e 20h.
Um grupo forte, vindo de vários estados.
No croqui, um dos principais, que se destacou na edição de inverno, em janeiro, o piauiense Martins Paulo, que usou como referência a obra de Almodovar.

dia 5, sexta-feira, Armazém 3, 19h

Fernanda Yamamoto
Martins Paulo
Bruna Ribeiro
Vitorino
Lore
Júlia Valle

dia 5, sexta-feira, Armazém 3, 20h

Butch
Stefania
Alisson Rodrigues
Jotadê
Ursula Felix
R.Groove

Samuel Cirnansck



Samuel Cirnansck se apaixonou pelos tecidos Pétalas, da Texprima. Criou vestidos de noiva, que foram vistos no evento Casar 2009, no Terraço Daslu (São Paulo), e fizeram o maior sucesso. Os tecidos possibilitam dobraduras e recortes, babados e tiras, sempre com efeitos delicados e modernos.
Depois que comecei a editar a revista Sim!acrescentei o setor noivas às minhas pesquisas de moda. O Samuel já é bom na linha casamentos, e pelo jeito o cetim Princesse e a musseline da Texprima deram toques diferentes nas suas coleções.







Aliás, na próxima revista Sim! publico vários vestidos do Samuel Cirnansck, inclusive o modelo preto, que encerrou o desfile.


www.texprima.com.br

FASHION RIO, a agenda


Saiu a agenda (ou line-up, como quiserem) da 15ª e primeira edição do Fashion Rio comandada por Paulo Borges. A função começa no dia 5 de junho, sexta-feira, com dois desfiles do Rio Moda Hype, às 19 e às 20h, no armazém 3 do Cais do Porto.

No Rio Moda Hype desfilam participantes de 10 estados. São eles: Alisson Rodrigues (Paraná), R. Groove (Rio), Butch (Rio Grande do Sul), Fernanda Yamamoto (São Paulo), Julia Valle (Minas Gerais), Lore (Pernambuco), Martins Paulo (Piauí), Stefania (Distrito Federal), Ursula Felix (Bahia), Vitorino Campos (Bahia), Bruna Ribeiro (São Paulo), Jotadê (São Paulo)

Verão 2009/10

6 SÁBADO
1) 16h Maria Bonita Extra
2) 17h Cavendish
3) 18h Melk Z-Da
4) 19h30 Salinas
5) 20h30 Claudia Simões
6) 21h30 Printing

7 DOMINGO
1) 16h Acquastudio
2) 17h30 Mara Mac
3) 19h Teca
4) 20h Graça Ottoni
5) 21h30 TNG

8 SEGUNDA
1) 12h Auslander
2) 16h Apoena
3) 17h Cantão
4) 18h Victor Dzenk
5) 19h Luiza Bonadiman
6) 20h30 Carlos Tufvesson
7) 21h30 Coven

9 TERÇA
1) 16h Walter Rodrigues
2) 17h Luciano Canale para Sta. Ephigênia
3) 18h Alessa
4) 19h30 Lenny
5) 20h30 Giulia Borges
6) 21h30 Tessuti

10 QUARTA
1) 16h Juliana Jabour
2) 17h Filhas de Gaia
3) 18h Totem
4) 19h Espaço Fashion
5) 20h Francisca
6) 21h30 Redley


Fashion Rio

Esta é a lista de desfilantes no Fashion Rio. Alguns detalhes a notar:
Não são apenas 15, como foi anunciado antes. São 30.

Sairam: o grupo Rio Moda Hype, Kylza Ribas, Ivan Aguilar, Complexo B, Elisa Chanan, Homem de Barro, Virzi, Lilica Ripilica, Drosófila, Koolture, Luciana Galeão, Marcia Ganem. Nesta edição, deveriam entrar também BumBum e Wöllner. A Sandpiper tinha poucas intenções de desfilar.

A Apoena fica, apesar de boatos dizendo o contrário, assim como a Coven.

Walter Rodrigues, apesar de desavenças no passado com a equipe de São Paulo, também permanece na agenda

Carlos Tufvesson reafirma a vontade de ficar perto das clientes cariocas, desfilando no Rio

No mais, acho que deve ser criado um evento para os novos, que abrigue o Rio Moda Hype e outros estreantes e alternativos. A moda precisa deles, para se renovar.

Quem ficou:

· Acquastudio

· Alessa

· Apoena

· Aüslander

· Cantão

· Carlos Tufvesson

· Cavendish

· Claudia Simões

· Coven

· Espaço Fashion

· Filhas de Gaia

· Francisca

· Giulia Borges

· Graça Ottoni

· Juliana Jabour

· Lenny

· Luiza Bonadiman

· Mara Mac

· Maria Bonita Extra

· Melk Z Da

· Printing

· Redley

· Salinas

· Sta Ephigênia

· Têca

· Tessuti

· TNG

· Totem

· Victor Dzenk

· Walter Rodrigues

Mães

A semana está cheia de programas que vão agradar às mães. Só que esta visita ao orquidário tem que ser até segunda-feira, porque é uma expo rápida. Mas tem que ver, são lindas as flores, muitas geradas por brasileiros, com nomes brasileiros.
Para os companheiros de moda, é evento fundamental, porque orquídea fornece uma cartela super-atual. Haja tons de violeta, magenta, amarelo, cobre, vermelho, roxo. O orquidário é mantido pelo designer Antonio Bernardo, nosso premiado estilista de jóias.
No Jardim Botânico do Rio de Janeiro, até dia 3 de maio, até as 17h.






A Radical Chic, personagem doidinha criada pelo Miguel Paiva nos anos 80, na revista Domingo do Jornal do Brasil (sei disso, porque na época era editora, e a Radical fechava a última página da revista), dá uma de jovenzinha e agora vai se vestir de Maria Bonita Extra. Pelo menos no lançamento da coleção de livros da lindinha, que será no dia cinco de maio, terça-feira, na Extra de Ipanema, das 18 às 22h. Hum,deve ser happy hour, coisa que muito agrada à Radical Chic.
Maria Bonita Extra: rua Aníbal de Mendonça, 135 / Ipanema | Rio de Janeiro







Ah, vai ou está em Nova York? Sorte sua, fique por aí até dia seis, quarta-feira, para apreciar a expo Models as Muse -Embodying Fashion ou seja Modelos como musa, corporificando a moda. Este título mega se refere a vários ícones e imagens que marcaram e ainda marcam a moda internacional. Tipo tem que ver, no Metropolitan Museum de Nova York.
Metropolitan Museum of Art | 1000, Fifth Avenue | Nova York


Minas Trend Preview, bom começo



Pela primeira vez consigo vir a Belo Horizonte, para ver o Minas Trend Preview. Uma proposta importante, já que se propõe a ser a antecipação do que será visto nos eventos ditos principais do país, que ocorrem em junho. Pelo jeito desta primeira noite, tudo a ver.


Primeiro, porque o conceito da abertura foi do Ronaldo Fraga, cara capaz de fazer um espetáculo até de um desfile coletivo. Ronaldo pensou um balneário na Riviera francesa, algo dos tempos de Brigitte Bardot, com as cadeiras da platéia todas cobertas com pano listradinho, o salão da festa com barracas de praia cobrindo uma parede ou antes destas décadas, já que os músicos do grupo de 10 estavam vestidos como banhistas do início do século 20, bigodinhos e compenetração de acordeonistas. Tocaram desde I love Paris até Sous les ciels de Paris, mas acabaram em repertório germânico, com o Mack the Knife, da Ópera dos três Vinténs.

Antes do show, a platéia de Fernandas Limas e Grazis Massaferras esperou pelo governador Aécio Neves, que chegou às 21h30 de helicóptero. Mas tudo bem, o ambiente estava bonito, passavam pães de queijo recheados com salmão, champanhe Chandon, havia chaises-longues e muita gente para conversar.



Depois, foi o desfile, cerca de 20 minutos de belas roupas, sempre complementadas por uma espécie de boné-turbante, que deu uma nova proporção aos looks, provável idéia do Daniel Ueda, stylist da noite.


Muitos longos com detalhes enviesados na frente, uma seleção de tons fortes, como uma cartela da estação, mais os delicados, em tons de Nude e rosados, da Printing (foi a que consegui identificar, já que era uma apresentação coletiva).



Grandes bolsas de couro, a maioria retangular, uma delas, com a Torre Eiffel aplicada. Grandes colares de lascas de pedras, interessantes. Muito interessantes. Diria que irresistíveis. Tomara que o salão da feira de negócios tenha vendas a varejo...
Desfilaram as seguintes marcas: Alphorria Cult, Apartamento 03, Barbara Bela, Cila, Claudia Marisguia, Claudia Mourão, Debora Germani, Diarium, Faven, Getulio, Graça Ottoni, Luiza Barcelos, Mabel Magalhães, Mary Design, Patachou, Patricia Motta, Paula Bahia, Printing, Rogerio Lima, Squadro, Victor Dzenk, Vivaz



Claro que o maior assunto era as mudanças de direção dos eventos no Rio. Eloysa Simão, que dirige o Minas Trend Preview, não foi à abertura, estava ocupada na montagem do salão que abre hoje, quarta-feira. Mas todos os colegas jornalistas queriam saber como havia sido a repercussão no Rio de Janeiro.

Intervalo / enquanto esperava, conversei com Lena Pessoa, profissional de moda que saiu de cena no Brasil, depois de fazer sucesso pelo menos conosco, jornalistas, nos anos 80, com a grife Liquidificadoidos. Quando ela largou tudo e resolveu ir para Paris, ninguém deu muita bola. “Ah, daqui a pouco ela volta”, pensamos. E esquecemos da Lena. Pois ela me aparece, 22 anos depois, a própria parisiense, casada com francês, trabalhando com conceito de lojas. E que lojas, gente: Pucci, Louis Vuitton, Loewe, Jimmy Choo, e outras, deste nível top!

O máximo, esta Lena mineira, que veio fazer uma palestra aqui no Minas Trend / parece que duas marcas estão confirmadas no novo formato do Fashion Rio: a Printing, daqui de Minas e a Francisca, de Recife / no aeroporto de Confins encontrei a Astrid Monteiro de Carvalho. Ah, vamos lá, a Astrid e só. Lindinha, com uma autêntica jeans flare, da Bo.Bo. Veio para Minas ver a quantas anda a sua coleção própria, que é feita aqui em BH. “Foquei em vestidos, direto. Faço até umas noivas bem bonitas”, contou, já me deixando curiosa para ver tudo. Daqui a pouco começam a chegar as primeiras peças na Via Flores, no Leblon.

Sem rotina

Gente, e a moda, heim? Paulo Borges no Fashion Rio, troca o lugar da Marina da Glória para o Pier Mauá, reduz os dias do evento e parece que corta pela metade a agenda. Eloysa Simão ao mesmo tempo no Top Fashion Bazar, no Minas Trend Preview e horas depois que tomei café da manhã com o Ucho, na quinta-feira, ele passa o posto também para a Eloysa! Por onde o André Hidalgo, que não está neste noticiário? Ele também é muito bom, como diretor de eventos.
Sem falar no Eduardo Pombal assinando a Forum, Forum Tufi Duek, Tufi Forum Duek, etc, porque o próprio Tufi Duek largou o barco - quer dizer, as grifes - um ano depois de vender para o grupo AMC. A coisa lá é agitada: Marcelo Sommer largou a Sommer; Lila Colzani largou a Colcci, parece que não é fácil conviver com o Alexandre Menegotti.
Ou será que assistimos aos ímpetos renovadores que Bernard Arnault imprimiu às grifes parisienses quando comprou Dior e Givenchy para o grupo LVMH? Hummm, não sei se cabe esta comparação...

Quero ir para Baden-Baden

Quem está assim, meio de bobeira, nada pra fazer em 30 de maio, por favor: entre na internet para garantir os ingressos, embarque no dia 28 de maio para Baden-Baden, na Alemanha. Chega lá dia 29, e no 30, assista à estréia de Der Freischütz (O Franco Atirador), de Weber, dirigido por Bob Wilson (ídolo! Maravilhoso! Espetacular!) e com figurines da dupla Viktor & Rolf! Como se não bastasse o talento dos holandeses Viktor Horsting e Rolf Snoerens, as roupas são feitas com quase um milhão de elementos da linha Crystallized, da Swarovsky.
Para esta ópera Freishütz (diga “frraixitz”), os figurinos são coloridos, dramáticos e com uma abordagem quase de histórias em quadrinhos cômica, que combina com o espírito pop do diretor. Tem raios desenhados, por exemplo, formas em 3-D,
palavras escritas nos ombros e na frente das peças de organza, seda, cetim, feltro, lurex e juta, cobertas com cristais. O efeito no palco deverá ser de pó mágico de contos de fadas. Já para o coro, as roupas são inspiradas por trajes tradicionais alemães, como o Dirndl (traje de camponesa, saia rodada e manguinhas fofas) e o Lederhose (calça de tirolês, com galões laterais), feitos em neoprene preto.
É a segunda vez que Robert Wilson (que já dirigiu uma Flauta Mágica, Fábulas de La Fontaine, fez vitrines para a Louis Vuitton, entre outros trabalhos), convoca Viktor & Rolf. A primeira foi o figurino do ballet 2 Lips and Dancers and Space, para o Netherlands Dance Theatre, em novembro de 2004.
Para não parecer que só falo de moda, estilistas e figurinos, aviso que o elenco reúne Juliane Bansa (papel de Agatha), Steve Davislim (Max), Julia Kleiter (Ännchen) e Dmitry Ivashenko (Caspar) nos papéis principais. Thomas Hengelbrock vai reger a Mahler Chamber Orchestra.
A encenação da opera romântica Der Freischütz, de Carl Maria von Weber, por Robert Wilson abre os festivais de verão na Europa e estréia na maior casa de ópera da Alemanha, a Festspielhaus Baden-Baden, em 30 de maio. Uma segunda apresentação será no dia 1º de junho.
Como estas maravilhas coincidem com nossa temporada de desfiles de verão, não estarei presente na platéia de Baden-Baden. Snif, snif.

Fashion Rio

Demorei para comentar, porque tinha que pensar um pouco no fato. Claro que me refiro à troca da Eloysa pelo Paulo, no comando do Fashion Rio. Já escrevi em página dupla no Jornal do Brasil, mas é matéria quase factual, sem muita opinião. Mas do jeito que acompanho a trajetória dos dois maiores empreeendores do setor de eventos de moda do Brasil (quiçá do mundo, porque conheço poucos eventos liderados por nomes), tenho que me atrever a comentar mais de perto.
A princípio, acho deselegante a maneira como Eloysa Simão foi dispensada, via carta. Ou a maneira subreptícia como que foi armado o processo. Seria ingenuidade da minha parte pensar que isto não se faz, quando todos sabemos que diariamente, no mundo inteiro, há demissões, rasteiras e puxadas de tapetes. E o fator surpresa parece ser imprescindível.
Portanto, esta deselegância faz parte do universo profissional, assim como o assédio sexual, o atraso nos salários, as recomendações e o pouco reconhecimento de valores.
Quanto aos motivos, ficaria tudo nas possibilidades e hipóteses. Nem vamos perder tempo com estas elucubrações. Vamos em frente. Prefiro falar das diferenças entre os eventos.

O Fashion Rio tem um aspecto mais improvisado, porque se realiza em tendas. As únicas tendas que conheci que tinham acabamento perfeito, mas eram metade do tamanho das do Fashion Rio, foram de um evento no Park Shopping, de Brasília. No mais, tenda é uma barraca gigante.
A São Paulo Fashion Week é sólida, porque se realiza dentro do prédio da Bienal, no Ibirapuera. Se fosse em tendas, elas não suportariam um dia de evento, porque o clima paulistano, cheio de chuvaradas, raios e ventanias, derrubaria tudo em menos tempo que um desfile. É muito bom ter um prédio, paredes, portas.

O Fashion Rio mostra coleções mais diversificadas, mais personalizadas. Sem perder o foco comercial, na maioria dos casos. A moda praia tem aspecto espetacular, sem perder o encanto dos modelos, que são referências
Em São Paulo há preocupação com as tendências internacionais. O risco de produzir cópias é grande, e há casos em que até a ambientação da sala é igual à de um estilista internacional. Mas há também exemplos como a Ellus, que poderia estar em qualquer semana de moda do mundo.Ou Lino Villaventura e Ronaldo Fraga, representantes do estilo conceitual, que fazem valer a pena o deslocamento até São Paulo para assistir aos espetáculos que apresentam

As entradas no Rio são organizadas. Convidados fazem fila de um lado, imprensa fica do outro.
As entradas em SP são caóticas para a imprensa. Por que é preciso ser esmagada para entrar nas salas? Ah, é para ficar igual às entradas de desfiles parisienses.

No Rio, as bolsas são disputadas, quando não são roubadas.
Em SP, os brindes são disputados, quando não são roubados. Aliás, estas duas linhas acontecem no mundo inteiro

No Rio, os patrocinadores obrigam a um repetitivo exibir de filmes publicitários e vinhetas, sempre iguais, antes de cada desfile
Em SP a solução é melhor, em geral com animações divertidas e músicas variadas.

A sala de imprensa no Rio é maior e com computadores melhores
Em SP, a sala de imprensa tem comidinhas que atenuam a pouca potência do wifi

No Fashion Rio, alguns desfiles acontecem fora da Marina da Glória, em geral em lugares sem estacionamento, bonitos mas caóticos para quem mora na cidade e pretende ir de carro
Na SPFW alguns desfiles acontecem fora da Bienal, em geral em lugares sem estacionamento, interessantes mas que obrigam a passar às vezes mais de uma hora dentro de uma van sem ar condicionado, no meio do trânsito paulistano

Afinal, qual dos dois eventos é o melhor? Depende da temporada. Ao contrário de muita gente que afirma que São Paulo tem o maior evento, o melhor, o tal, da América Latina, sei que isto é um poder de marketing sem muita base. Na Colômbia tem algo muito grande e bom, no México também. Depende da temporada, o Rio é melhor, mais original. Ou São Paulo tem um impacto maior, coleções incríveis.
Todas estas comparações significam apenas uma parte da importância dos eventos. O que interessa é a coleção, ou as coleções. De nada adianta eu ou alguma das colegas incensar ou arrasar um estilista, se o trabalho dele não chegar até a ponta final do consumo. O que nossas marcas precisam é disto, de consagração nas ruas, que são as melhores passarelas.

Ouço muitas meninas dizendo com orgulho que compraram uma calça na Farm, ou na A-Teen, marcas que nunca pisaram em passarelas. Também noto que a Osklen e a Lenny são sonhos de consumo, assim como a Espaço Fashion ganhou um novo status, depois que entrou para a agenda de desfilantes. É um vale-tudo, do qual ninguém tem a receita do que vai dar certo. Entre Eloysa Simão, que conheço desde os anos 80, como repórter no tempo em que a editoria da revista Domingo estava na minha mão, e Paulo Borges, que admiro desde que vi nos primeiros Morumbis Fashions, cumprimentando cada repórter pelo nome, sei que são dois grandes profissionais, que lideraram equipes muito importantes para uma etapa da moda brasileira. Eles organizaram o mercado lançador, criaram um patamar de prestígio para as marcas nacionais.

Prestígio só, não vende. Todos conhecem grifes que desfilam, fazem campanhas cheias de estrelas e...faliram. Todos lembram da febre dos grupos, que fizeram e aconteceram há um ano, e eram ilusões, se desfizeram em alguns meses. Tem muito trabalho, muita ralação, abnegação e bom-senso neste tal negócio de moda. Evento é importante, como uma vitrine de propostas. Vamos ver o que acontece agora nas semanas de moda brasileiras.

Ah, uma questão: alguém acredita que São Paulo abriria mão de ter dois eventos, um de verão, outro de inverno? Alguém apostaria que o Rio sobreviveria tendo apenas um evento de verão? E o Rio Summer, fica onde? E o Fashion Business, que é da Dupla e da Escala?
Vai ser um ano intrigante, este.

E a vencedora do Mimo é:

Elizabeth Costa Novo, do Rio de Janeiro, que respondeu "O estilista da Hérmes é o Jean Paul Gaultier, desde 2003 quando seu nome foi indicado para assumir a marca."









mimo@estiloiesa.com.br

Antonio Bernardo

Antonio Bernardo é perfeccionista. Antes mesmo de ser designer, joalheiro ou profissional de moda, com o conhecimento e amizade que tenho com ele, sei que o objetivo primeiro é a perfeição. Com ele, tem que ser bonito, bem-feito e original.
Depois de uns 30 anos reinventando suas idéias em jóias, mantendo a coerência com o próprio trabalho, passando para nós em forma de catálogos impecáveis, AB resolveu mudar para imagens em movimento, em DVD. Um filme, que foi apresentado nesta manhã de terça-feira, dia 14 de abril, no teatro Tom Jobim, dentro do Jardim Botânico. Lá mesmo, onde apadrinha e mantém o orquidário.
Assim, para uma platéia mínima e seleta, foi exibido o filmete em preto e branco, como se fossem stills das jóias, só que em movimento. Porque mais do que mostrar que seu negócio é ouro e joalheria, era preciso enfatizar a arte do design, das formas que se encaixam, das curvas que protegem pérolas e pedras. Com o design, Antonio já ganhou seis prêmios no IF, a mais prestigiosa premiação européia, desde que começou a frequentar o evento.


Melhor ainda: com estas viagens e participações pelo mundo, foi conhecendo pessoalmente criadores que admirava, e se tornaram amigos. A consagração como profissional e designer vem da inclusão no livrão Schmuck Design der Moderne, assinado por Reinhold Ludwig, jornalista alemão especializado em design de jóias. Além das fotos das peças premiadas, nas páginas 306 e 307 está a biografia do brasileiro, em inglês e alemão.

No encontro destas manhã, Antonio confessou que não gosta de falar de coleções. “Estou sempre desenvolvendo peças a partir do meu trabalho, desde a primeira jóia que criei. Ficou pronta, e eu já estava pensando em como faria uma segunda a partir daquela. “


Na mão, o anel Puzzle, também premiado e um sucesso internacional. Com direito a demonstração. “Ele tem uma chave, que não se solta porque a base segue o desenho do dedo. Tira-se a chave, as peças de cima se separam e a base também”. Sobre a mesa, ficou um intrincado conjunto de pecinhas, que rapidamente viraram anel de novo.

Antonio sempre puxou tendências (mesmo que não goste desta palavrinha, prefere dizer que gosta de introduzir coisas novas). Nos anos 70 deu prestígio renovado ao brilhante, com seus cordões fininhos e solitários perfeitos. Nos 80, marcou pelas pérolas grão-de-arroz e o jogo de texturas no ouro e os cristais, em brincos que sacudiam nas orelhas das personagens de novelas. Nos 90, foi a vez dos rubis e as formas curvas, como fitas em peças quase únicas.


Tudo perfeito, moderno, com uma marca de arte. Mas sem pretensões de luxo falso. O trabalho do Antonio é como as orquídeas aveludadas que enfeitavam as mesas, vindas de Petrópolis, trazidas por Rozario Almeida Braga. Uma beleza simples e singular, sem ostentações.
Aliás, de 30 de abril a 3 de maio as orquídeas com nomes brasileiros estarão em exposição no orquidário do Jardim Botânico. Vamos ver a Catleya Corcovado.




Iesa Rodrigues é jornalista de moda, professora e pesquisadora de tendências. Adepta de máquinas e tecnologias, desde 1995, abriu este site, para ampliar o espaço de notícias de moda no Brasil.

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