[Iesa Rodrigues]

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Sábado, Novembro 01, 2008



Ipanema do Oskar

Este perfil muito design é assinado pelo Oskar Metsavaht. Há um ano, o projeto desta sandália Ipanema vem rolando entre ele e a Grendene, e agora enfim sai para o verão. A Osklen já tinha um ótimo chinelo, reinterpretado de um comprado na base do improviso ou da necessidade durante uma das viagens de esportes e aventura, pelas bandas da Tailândia e vizinhanças. Super-macio, um shape largo, uma delícia.
Esta Ipanema é muito parecida, e deve atingir uma escala maior de consumo, já que é produzida pelo poderio industrial da Grendene. Mas por enquanto, só está à vendas nas Osklens do Brasil e do mundo (Nova York, Toquio, Milão, Roma, Cascais, Lisboa e Porto), aqui por R$ 39. A partir de fevereiro, a distribuição fica por conta da Grendene.
Só que a Ipanema faz parte de um projeto de reposicionamento (sempre que ouço esta palavra lembro do aeroporto de Congonhas, onde os aviões vivem sendo reposicionados) da marca. Portanto, será um pouco raridade, do tipo que dificilmente estará pendurada na porta de uma quitanda.


Biquíni da Lenny, coleção eleita do Prêmio Moda Praia

Quem levou

Pelo jeito, demos sorte: a Maria Bonita, cuja foto publicamos na prévia da festa, levou o prêmio de melhor desfile na noite do Prêmio Moda Brasil. Parabéns, Daniela Thomas, Malba Paiva e Alexandre Aquino.

Estes foram os premiados:
Estilista moda feminina: Reinaldo Lourenço
Estilista moda masculina: Alexandre Herchcovitch
Moda praia: Lenny Niemeyer
Acessórios: Francesca Giobbi
Modelo feminino: Raquel Zimmermann
Estilista revelação: Henrique Gonçalves, da R. Groove
Campanha publicitária: Oskar Metsavaht (inverno 2008)
Homenagens: Francisco Costa e Dalma Callado
Stylist: Felipe Veloso
Desfile: Maria Bonita
Maquilagem: Duda Molinos
Cabelos: Max Weber
Fotógrafo: Bob Wolfenson
Modelo masculino: Leo Peixoto
Figurinista: Marilia Carneiro e Karla Monteiro
Veículo impresso: Vogue
Veículo eletrônico: Chic
Programa de TV: GNT Fashion
Jornalista de moda: Gloria Kalil

O júri contou com nomes como Costanza Pascolato, Paulo Borges, Regina Guerreiro, Gloria Kalil, Lilian Pacce, Patricia Carta, Lula Rodrigues

Quarta-feira, Outubro 29, 2008

Hoje tem prêmio!





Com direito a show de Maria Bethânia, sai hoje a primeira lista de eleitos do Prêmio Moda Brasil, em São Paulo. Vai ser um festão, de gala, no Teatro Municipal da cidade.
É sempre louvável uma premiação, estimula os profissionais do setor a melhorar, para chamar a atenção e merecer este destaque.
Claro que nem tudo é perfeito. Por exemplo: concorreu quem se inscreveu, apenas. Já fica limitado o resultado. Outro exemplo: como avaliar este grande número de categorias, apenas pelos projetos enviados?
Infelizmente não pude ir a SP para participar da primeira etapa do júri. Portanto, não sei como aconteceu a seleção de materiais jornalísticos e editoriais, se a maior parte dos juizes era gente de imprensa. Este impasse acontece muito em concursos de moda. Os patrocinadores sempre pretendem homenagear quem faz as revistas, quem trabalha nas reportagens de jornal, quem edita os sites. Mas e aí, quem julga? Convém deixar bem claro, na noite da premiação, que estes candidatos se inscreveram e foram selecionados por outras equipes. Talvez pessoas do shopping Iguatemi, patrocinador master.
A modelo Dalma Callado será homenageada especial, e Francisco Costa, mineiro estilista da Calvin Klein, é Prêmio Especial Hors Concours. Merecidamente, estes dois.

Na foto, um momento do desfile da Maria Bonita, que pode render prêmio para a estilista Danielle Jensen ou para a diretora, Daniela Thomaz

Para ativar a torcida, segue a lista de finalistas nas 17 categorias:


Estilista de moda feminina: Gloria Coelho, Maria Bonita (Danielle Jensen) e Reinaldo Lourenço

Estilista de moda masculina: Alexandre Herchcovitch, Osklen (Oskar Metsavaht) e Ricardo Almeida

Estilista revelação: Ianire Soraluce, P?tit (Anna O.m Carol Marinone, Leonardo Negrão e Heloisa Faria) e R. Groove (Rique Groove)

Coleção de moda praia: Adriana Degreas, Blue Man e Lenny

Stylist: Felipe Veloso, Giovanni Frasson e Paulo Martinez

Desfile do ano: Maria Bonita Verão 2009 (direção de desfile Daniela Thomaz), Alexandre Herchcovitch inverno 2008 Masculino (direção de desfile Roberta Marzola) e Cavalera Verão 2009 (direção de desfile Alberto Renault)

Campanha Publicitária: Arezzo Inverno 2008 (direção de arte: Giovanni Bianco), Ellus Inveno 2008 (direção de arte: Kleber Matheus) e Osklen Inverno 2008 (direção de arte: Ana Amélia Metsavaht)

Modelo Feminino: Ana Claudia Michels, Carol Trentini, Raquel Zimmerman

Modelo Feminino: Leo Peixoto, Michael Camiloto, Mihaly

Make-up: Celso Kamura, Daniel Hernandez e Duda Molinos

Hair stylist: Daniel Hernandez, Max Weber e Ricardo dos Anjos

Fotógrafo: Bob Wolfenson, Jacques Dequeker e Miro

Designer de acessórios: Constança Basto, Francesca Giobbi e Tao Galeria (Marta Ribeiro)

Figurinista: Claudia Kopke por ?Era uma vez...?, Marilia Carneiro e Karla Monteiro por ?Os Desafinados? e Marissol Grossi por ?Estômago?

Veículo de mídia impressa: Key, Mag! e Vogue

Veículo de mídia eletrônica web: Chic, Lilian Pacce e SPFW

Veículo de mídia eletrônica programa de tv: GNT Fashion, Mais MODA (Tv Record) e Mundo Fashion (Tv Bandeirantes)

Jornalista de moda: Costanza Pascolato, Glória Kalil e Lilian Pacce

Sexta-feira, Outubro 17, 2008

Agenda do Claro Rio Summer

Daqui a pouco (de 5 a 8 de novembro) começa o evento organizado pelo Nizan Guanaes, que quer mostrar a moda e o lifestyle do Rio. Por conseqüência, do Brasil.
O Rio Summer abre bem, com o querido Carlos Miele. Tomara que ele mantenha o espírito performático que sempre marcou (e provocou polêmica) suas apresentações. E fecha à altura, com um duo de Osklen e Lenny.
Só uma coisa me alucina: além dos shows nas salas azul ou amarela, que serão tendas no Forte de Copacabana, a agenda tem desfiles externos! Ó céus, provavelmente naqueles lugares muito lifestyle, sem nenhum estacionamento, em zonas ermas da cidade. Tipo, Lapa, armazéns da Praça Mauá. Tomara que haja ônibus, van, qualquer transporte, como fazem em Paris.

Horário Marca Sala

Quinta, 06/11

14h Carlos Miele Externo

16h30 Blue Man Amarela

18h Salinas Azul

19h30 Adriana Degreas Externo

22h 284 Externo

Sexta, 07/11

13h30 Cris Barros Amarela

15h Iódice Azul

16h30 Rosa Chá Amarela

18h Totem Azul

19h30 Isabela Capeto Externo

Sábado, 08/11
11h Jo de Mer Externo

14h Triya Amarela

16h30 Raia de Goeye Amarela

18h Cia. Marítima Azul

20h30 Osklen/Lenny Externo

Terça-feira, Outubro 14, 2008



Tipo de verão

Helenas de Tróia, louras e de vestidos drapeados devem dominar as arenas da temporada. Arena, leia-se festas, casamentos, jantares, até praias de luxo.
Na coleção da Alphorria, assinada pela Edna Thibau, destacam-se os drapeados em chiffon, musselines, jérseis e até em malha, valorizando os transpasses e assimetrias. É um visual glamoroso e feminino, sem tanto peso de bordados e babados, em cores marítimas, como os verdes, azuis e corais (ué, coral fica no fundo do mar, lembram?)
Muita estampa digital traz as flores aquarelados com interferências geométricas, os acabamentos incluem elos e correntes com banho cobre rosado. Para o dia, a Alphorria propõe bermudas e shorts, mais coletes com super-decotes

Psst: eventualmente esta foto aparece deturpada, a bela de pele azulada. Nada disso: ela é linda e loura.



Na Juliana Faro, a inspiração foi nas jet setters dos anos 70. A forma é mais sequinha, muitos decotes tomara-que-caia (adoro este termo), blusas soltas e também shorts em diversos jeitos.
Vale lembrar que, nas lojas da Juliana, está tudo à venda, desde as portas decoradas com bonequinhos, até as luminárias e abajures.



Ipanema ganha Limits
Marcio Duek abre no dia 16 a Limits em Ipanema, na rua Visconde de Pirajá, 423 ? A e B. Vai ter festão animado pelo DJ Marlboro, das 19 à meia-noite.

E a Diesel, que celebra 30 anos? O dono, Renzo Rosso, promete altas festas. Será que o Maurício Saab, representante da marca italiana dos jeans mais cobiçados do planeta, vai repetir o feito, daquela noite com o Mobi, no hotel Glória? Uma das melhores festas que já fui

Você sabia? As duas maiores lojas de departamentos de Tóquio são a Takashimaya (só conheço a da Quinta Avenida em NY, sempre vazia, com o porteiro chamando visitantes na rua) e a Isetan Mitsukoshi

Sexta-feira, Outubro 10, 2008


Sábado, dia 11, o pessoal do Cantão faz o evento Eu amo pedalar! De meio-dia até as 18h, na praça Santos Dumont, em frente ao Jóquei. Vai ter sorteio de sete bicicletas iradas, conserto de câmaras, trocas de marchas, e até show do Seu Chico, no final. Programão para os pedaleiros do Rio


Turma da praia


Rogerio Figueiredo segue a maré das logomanias nos novos maiôs, biquínis e sungas. As fotos do catálogo são todas assim, tipo piscina chic. Gostei. Vejam mais em www.atelierrogeriofigueiredo.com.br (ou na rua Normandia, 22 / 26, em São Paulo; (11) 3926-7621)




A Jo de Mer lançou suas ondinhas para moda praia. Pelo jeito, temos verdes bem marinhos. Em São Paulo, na Oscar Freira, 329-A. Também em www.jodemer.com.br

Já a Lenny Niemeyer autografou seu livro, editado pela Cosac Naify, dentro da coleção Moda Brasileira. Legal


Quem lança


O Atelier Real, esta casa bonitinha em Botafogo, já está com a Primavera-Verão (rua Real Grandeza, 182 casa 4B / tel. (21) 2537-4924)

Maison Kaká Barcelos, também cheia de novidades, um endereço de multimarcas que vale ver na Barra (rua José de Figueiredo, 320 bloco 5 loja 106 / tel: 2138-8010)


Diz se não dá vontade de pular no monitor e pegar estas sapatilhas lindinhas, em print python de várias cores? São da Via Mia, que cada vez se integra mais no trem das marcas lançadoras, sem perder a faixa dos preços ótimos. Cada sapatilha custa R$ 99 (mais em www.viamia.com.br)










Jóias


Até dia 19, Antonio Bernardo oferece 20% de desconto em suas jóias. Seja qual for a forma de pagamento! Este bracelete de prata, o Shar, que custa normalmente R$ 2.950, pode sair por R$ 2.360, que tal?

Jack Vartanian lança a coleção Rock?n?roll, com muitos modelos de argolas e até uma guitarrinha com brilhante, em cordão. No Rio, na Via Flores. Vejam tb em www.jackvartanian.com







Este é o Marine Chronograph Dame, da Breguet, marca que existe desde 1775 e que forneceu relógios exclusivos para Napoleão Bonaparte, Josefina, Winston Churchill, Victor Hugo e até a Princesa Isabel. Abraham Louis Breguet é considerado o pai da alta relojoaria moderna. Este modelo feminino, bem decorativo e precioso, emoldurado por brilhantes, está na coleção de fim de ano da Amsterdam Sauer (atendimento (21) 2525-0033)



Fim de semana (o próximo, gente!)


Bons descontos no Ateliê Degang + Kvalo, durante o evento Arte em Laranjeiras, no finde de 18 /19/10 (isto é, 18 e 19 de outubro). Tem convidados do Marcelo de Gang também: o trabalho da Margot Mello para o atelier Cortiço e as bijuterias de Luciano Rocha. Mais a expo do Ricardo Gama, com fotos do ensaio As nossas Senhoras de Copacabana, com roupas da coleção.
Se der fome, o bistrô coordenado por Petit Maibi propõe sopas e quiches. Das 10 às 20h.

Domingo, Outubro 05, 2008

Acabou bem!

Enfim, abaixo de chuva e ventania, o último dia da semana de desfiles de Paris deu uma naimada, apesar de algumas urubusices rondando. Nem se trata mais da lenga-lenga de crise americana, falta de vendas. Trata-se do troca-troca de estilistas e donos de marcas. Valentino troca de criador ? nao estava dando muito certo, a atual. Celine, idem. Cacharel foi muito fraca, sem o casal Clements Ribeiro. E ha a ameaça pairando sobre Alber Elbaz, o querido estilista da Lanvin. Tanto Lanvin quanto Lacroix estao em vias de serem vendidas. Vamos ver o que acontece.

Estas mudanças nao afetam os criadores. Ontem foi um dia muito bom. No mínimo, pela Louis Vuitton, em um dos melhores trabalhos assinados pelo americano Marc Jacobs. As trilhas musicais anunciavam parte do conceito: antes do desfile, canções de filmes musicais como Chicago, Cabaré, Hello Dolly e até o Muppet Show. Durante o desfile, Edith Piaf. O estilo americano e tradições francesas se refletiram nos casacos de mangas bicolores, mas com ombros pontudos, dos anos 80, auge de estilistas parisienses como Thierry Mugler e Claude Montana. Jacobs cumpre o ritual da referência étnica, nos grandes colares, nos brincos de argolões, nos cintos-obis e nos cabelos tipo poodle. Alguns destaques: as calças largas de poás brancos sobre fundo rubi ou preto; ou em jeans com bolsos virados, ou a reta, caramelo, em look com túnica marinho, de mangas três quartos. Decotes de tiras cruzadas ou alinhadas valorizam as costas. As colecionadoras de bolsas Vuitton vão disputar as carteiras com entalhes de cristais coloridos e as bolsas em couros dourados, maleáveis.

Aplausos de pé receberam os vestidos drapeados e amarrados, as faixas pregueadas atravessando o busto, os tubos montados em pences, com grandes fechos aparentes na lateral, as combinações de rosa-seco e preto, ou bege e rosa, magenta e vermelho, com parte preta. Ou dois tons de azul ou de verde. Os sapatos cintilavam com cristais nos saltos e nas gáspeas. Colares suntuosos, escarpins cristalizados, drapeados e pregueados. Muito bonito, perfeito para a vida real, mas com consistencia de moda. So que a moda atual tem um lado business pesado. Precisa dar lucro (tem dado, nesta fase Alber Elbaz), e tem acionistas. Falar em bolsa de valores a esta altura, hummm...

Marras no país da Alice O convite é o mais bonito da semana, como se fosse um caderninho de ilustrações botânicas, com um pop-up de borboletas na página central. O cenário, no mercado do Carreau du Temple, uma prateleira gigante cheia de livros em tons desbotados, no final do desfile também teve várias páginas abertas, mostrando buquês de flores de papel. Lindo. Quanto à coleção, também foi bem bonita, apesar de muito diferente do que se espera do estilo Kenzo. Ok, é preciso renovar, e o Marras conseguiu mudar, mantendo a beleza. Qual foi a diferença? O colorido. Sempre tão vermelho-rosa-laranja-verde-roxo no Kenzo de sempre, em gera l bem interpretado pelo Marras, apareceu...cinza. Cinza, com ou sem brilhos de paetês, metalizados, transparências, conchas, pétalas, linhos, tules e cchiffons. Imaginem vestidos curtos, montados em entalhes levemente franzidos com estas texturas e efeitos. São cores empoeiradas, como definiu o presskit. Aliás, cada lugar tinha uma capa de presskit diferente. O meu tinha a imagem de uma Citisus Nigricans, ao meu lado, era um Chrisantemum Indicum. Isto é que é detalhe, sinal de um orçamento rico. Além dos franzidos e brilhos, vimos a alfaiataria em calças em risca-de-giz cinza-claro, um conjunto de spencer e calça de pregas, barra estreita. O tema da Alice no país das Maravilhas prometia aplicações de bichos de tricô e bordados de pérolas, impossíveis de serem distinguidos da platéia. Uma boa idéia é a carteira rígida, com uma banda elástica prendendo, e uma laçada para segurar na mão. Outra, é jogar uma parka de seda ou tecido com brilho sedoso sobre um vestido ou um maacaquinho bordado. A sabedoria desta fase nova da Kenzo (o próprio saiu do negócio em 1999) é justamente encantar pelo espetáculo. Quando a gente começa a achar triste o excesso de cinzas, o cenário se transforma e tudo faz sentido.

Elie Saab, primaveril
Mais uma inspiração floral, no estilo do libanês que talvez chegue ao consumo brasileiro através das vitrines da Avec, no shopping Leblon. Sem excessos de estampas, Elie representou a estação pelo azul-hortensia, o amarelo-pistilo e o verde-amêndoa. E mais muito violeta e lilás, realçados pelas sedas e cetins dos vestidos curtos ou longos. Foi uma das poucas coleções a lembrar das calças, como parte de tailleur chique. As garotas de cabelos louros, lisos e longos passaram com os curtos arrematados por barras de flores de tecido, em verde-claro; nos longos de sereia em malhas rendadas cinza-gelo. O que anuncia algo novo, a praia alterada, é a série de longos transparentes nos mesmos tons dos maiôs por baixo. Muitos modelos têm a cintura deslocada para cima, só um pouquinho, o bastante para alongar e dar mais elegância. E muitos, muitos curtos ou longos, têm panejamentos longos atrás, interpretação moderna da cauda. O que falta para Elie Saab ser um Valentino? Talvez uma sala maior, mais imponência no show. Roupa, ele já tem. Cabelos: Olivier Lebrun Make: Gordon Espinet, da M.A.C. Manicure: Creative Nails Intervalo / foi uma das poucas vezes que vi uma celebridade convidada ser vaiada. Ela chegou atrasada, entrou com as luzes apagadas. E recebeu o maior UUUUUUh! dos fotógrafos, que já estavam prontos e concentrados para documentar o desfile. Quem era? Nada de tão importante: Mila Jojovich, ex-modelo e agora atriz de cinema. Não justificava tanto mistério / mesmo com vestidos ultra-finos, as modelos carregavam grandes bolsas de couro. Com vestido amarelo, sandálias e bolsa roxa / quase ninguém mais dá o crédito para quem faz cabelos e maquilagem Paul & Joe, na praia No cenário de inverno, o fundo era uma paisagem de montanha nevada, que mudava de noite para dia. Para o verão, as mesmas 24 horas de luz, só que a paisagem era um paraíso de praia, com ilha e mares. Um ambiente perfeito para o estilo férias de luxo, com passarela igual a um deck de madeira. Por ali passaram as calças jeans com laçadas nas laterais, os macaquinhos floridos, as calças drapeadas e as blusas listradinhas com babados na frente, além de shorts e maiôs cavadões. Como férias na praia chic incluem festas, a coleção inclui longos. Um plissado, com laço no final do decote vertiginoso nas costas, uma túnica em pontas, com estampa cashmere em tons de azul, e três modelos em poás: pretos, em fundo rosa; brancos em fundo coral; pretos em fundo branco. A entrada da Paul & Joe estava pior que a Chanel. Só faltou pedirem documentos, de tanto que demoraram para permitir a entrada dos convidados. Deve ser reflexo do sucesso desta moda jovem e usável, mas nada demais.
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Sábado, Outubro 04, 2008

Ontem falei dos convites que não chegam às portas dos desfiles. Hoje, discorro sobre o por que das máquinas não funcionarem em Paris. Basta começar a semana, e ouve-se por toda a platéia as mesmas histórias. ?Esqueci o adaptador?, ?meu computador não liga?, ?acabou a bateria?, ?o celular pifou?. Ou pior ?não pára de tocar, vou pagar uma fortuna de roaming?.
Bem, estes são alguns casos comuns nestas semanas de desfiles parisienses.

A bateria da câmera acabou. Uma Nikon, nem mais nem menos. Em Paris inteira, quase impossível encontrar à venda, foram todas vendidas. Não, não saíram de linha, foram vendidas mesmo.

Os cabos não conectam, apesar de aparentemente a tomada ser igual à brasieira, com dois furinhos. Mas aqui, há um caninho cilíndrico antes dos furos, e o nosso plug não entra de jeito nenhum. Depois de muitos adaptadores esquecidos, perdidos ou quebrados, comprei uma fonte parisiense para o notebook. Ainda bem que aqui eles gostam de MAC. Ah, a FNAC tem um adaptador por 10 euros, o mais barato que encontrei. Só que exige uma força desmesurada para encaixar, parece que vai quebrar. Aconselho a comprar também um filtro de linha, para conectar os carregadores de pilhas, celulares, etc.

Muita paciência na hora de comprar estes trecos. Os vendedores sabem tudo, mas têm uma certa preguiça de explicar uma mercadoria de 10 euros, quando a loja está cheia de gente querendo computadores, aspiradores, máquinas de lavar. Ué, cadê a crise?

Outro motivo para nada funcionar direito ? um dia, o notebook desconhece o cabo USB da câmera, com a qual ele já está mais do que acostumado, por exemplo ? é que as máquinas estranham o clima, não falam francês. Só pode ser.

Lembre que não faz sentido enlouquecer e comprar um notebook francês, porque o teclado é diferente. E antes de passar frio e correr para um Cyber onde a hora custa no mínimo 4 euros, o teclado é francês e pode ter fila para os computadores, faça um teste para ver se a região do hotel não é wifi. Se for, entre no browser e veja se não tem uma rede Orange. Assine, mande um cartão de crédito para pagar três horas a 10 euros de conexão em geral muito boa. No hotel onde estou, o sinal é excelente na mesa da portaria, junto a um vaso de flores. Há sempre um detalhe cômico...

12h
Andrew GN é um destaque de hoje. Ele imaginou Helena Rubinstein voltando de uma viagem à Índia, e mostrou lindos vestidos com pedras bordadas nos decotes tipo cáftã. Para ele, HR, uma das primeiras grandes empresárias do ramo da beleza, era uma mulher de estilo perfeito, mesmo sem ser uma beleza clássica. Era um equilíbrio de beleza e realidade.
Os primeiros vestidos de linho areia têm decotes arredondados, tratados como ajour, com vasados presos por metais. O mesmo processo aparece nas mangas de um vestido preto. A guipure, o brocado e o lamê são tecidos eleitos, mas os crepes fazem bonito nos cáftãs em tons de coral, verde, turquesa, marrom, com os decotes contornados por pedras grandes, nos mesmos tons das roupas. Estas pedras tambeem fazem os brincões e braceletes.
Na linha Ateliê, que o estilista de Cingapura lança para prestigiar as funcionárias que bordam e costuram à mão, há bordados com safiras e cristais. Um vestido teve a estampa de um xale de cashmere do século 19 como fonte de inspiração. E os longos confirmam a beleza das cores, do verde, azul-claro, coral, turquesa e esmeralda.

Sapatos e jóias: Andrew GN
Meias: Wolford
Cabelos: Seb Bascle (rabos-de-cavalo longos, finos e lisos)
Make: Karim Rahman

Ontem comentei que conheço os lugares mais bizarros graças aos desfiles de moda. Pois hoje voltei com calma ao hotel Ritz, o famoso, na Place Vendôme, para ver o show-room da Tara Jarmon, uma das redes de maior sucesso da França. Já vi alta-costura do Versace lá e um ensaio maravilhoso do Valentino, levada pelo Cacá de Souza. Desta vez, como era show-room, sem o stress de entrar correndo, para pegar lugar, deu para curtir os corredores cheios de vitrines do que há de melhor para comprar. Brinquedos da Au Nain Bleu, objetos de metal dourado e prasta da Lapparra, o robe rosa-seco do próprio hotel, lindo. Chapéus Borsalino autênticos; macarons ou bem-casados da Ecole Ritz Escoffier, também do hotel. Vestidinhos de algodão, para meninas de 3 a 18 meses, por 75 euros, ou em seda, por 150 euros, da Bois de Rose.

E na Tara Jarmon, instalada em um dos salões, transformado em jardim, com piso de madeira rústica sobre os pisos de tapetes do Ritz, uma moda colorida e muito feminina. Estampas de florões, cardigãs com bordados de espehos ao longo do abotoamento, calças drapeadas nas laterais, um vestido verde-esmerada com casaco de camurça fúcsia. Sentiram o colorido? Nos acessórios, sabotas de salto fino, em camurça roxa ou sandálias de tiras pretas grossas, como virou mania nesta semana. Para variar, a Tara Jarmon vai vender muito no verão de 2009.

Começou a chover, na hora de correr para a tenda do Christian Lacroix. Antes, vi a American Apparel, com ótima coleção de malha, na Place du Marché Saint Honoré, com preços médios em torno dos 40 euros. Crente que estava atrasada, esperei mais de uma hora, no maior calor e abafamento, até entrar a primeira modelo. A música deu a pista da inspiração espanhola/tourada, falando ?yo quiero bailar?. Sem mantilhas ou pentes na cabeça, as modelos estavam com cabelões lisos e volumosos, com franjas. E roupas cinturadas, como espartilhos com barbatanas, saiotes curtos, casacos de época, cravos de tecido aplicados nos ombros ou cinturas. Pelerine de toureiro, calças idem, ajustadinhas. Muito poá, tema favorito do Lacroix, e incríveis babados enviesados ondulando no corpo das beldades franjudas.
Bonito, colorido e rico. Mas o atraso quase tirou a graça. Depois soube que do lado de fora, na Concorde, choveu potes.

Acessórios: Lacroix
Cabelos: Odile Gilbert
Make: Stéphane Marais
Música: Michel Gaubert

Sexta-feira, Outubro 03, 2008


Chanel, sempre
Vale a pena se abalar, voar mais de 10 horas, pagar hotel e batalhar com a rede de internet parisiense, se três convites chegarem às mãos: Dior, Chanel e Vuitton. Claro que é bom ver Margiela (que está saindo de cena), Victor & Rolf ou Stella McCartney. Mas onde vendem, no Brasil? Quem tem loucura para ter algo deles? Só a galera da moda mesmo. Mas os três grandes justificam a vinda. Os outros são bons, mas nem sempre convidam brasileiros. Até pelo motivo de não venderem no Brasil. Deste jeito, não venderão nunca, porque continuam desconhecidos. Quem no Brasil sabe como é a roupa St. Laurent atualmente, se não vive conectado nos sites internacionais, de quem realmente assiste aos desfiles figuras difíceis? Aliás, tenho que admitir que fico passada de ver o sucesso do sartorialist.com. São fotos de gente de rua, o tempo todo. Muito engraçado, às vezes até meio grotesco, vamos combinar. Como se encarássemos a arte feita com reproduções de quadros, pintados por números (isto é, com a interpretação do consumidor) com os originais pintados pelos autores. Mais ou menos isso. Pode ser um sinal de uma redução de interesse na moda de verdade. Talvez já tenhamos acumulado tanta roupa, que não há lugar físico ou mental para novas criações. Então, vamos inventar looks doidos, com o que já temos. Bem, mas Chanel é Chanel, todo mundo respeita. Por trás da marca, o alemão Karl Lagerfeld dá as cartas, desde 1983. Inteligente, sabe atualizar o que a própria Chanel deixou de herança de estilo. No desfile de hoje no Grand Palais, a fachada da loja na rua Cambon, 31 foi o cenário. A coleção veio quase toda em preto e branco, com sinais de lamê prata e rosados. O tailleur clássico ficou mais simples, é mais um top de mangas japonesas em jacquard ou tweed, ou em tecido com grafismos de fitas em metalizados e rosa-seco. Os longos lembram trajes flamencos, com saias de babados dobrados e boleros de toureiro. Ou têm corte diretório, saias pregueadas, com fita preta abaixo do busto. Êpa, de repente pintam umas roqueiras, de bustiê e maiô preto, carregando um estojo de guitarra, em matelassê branco. Ih, as meias imitam leggings curtos pretos. Um macacão preto colante tem mangas ?sino entremeadas de rendas. Quatro modelos passam rebolando, com micro vestidos de malha, com decotes ombro-a-ombro. A maioria das modelos carregava uma sacola de compras, vi que está mudando o visual, tem uma grandona, preta, com o endereço da matriz na rue Cambon. É o jogo do prestígio: claro que é muito mais chique comprar lá do que nas galeries Lafayette. Os sapatos escarpin em PU transparente têm saltos altos, grossos e escuros, como as biqueiras. Outros são enfeitados com plumas e pompons, mais para modelo agulha. Ainda reinam as plataformas. Os cabelos ganham arcos de correntes escuras, tufos de tule e plumas. As bolsas 2.55 ficaram maiores, mais retangulares. Os colares de correntes estão em prata escura, bem longos. Valem para homens e mulheres. Cabelos: Odile Gilbert Make: Chanel Som: Michel Gaubert Chanel confirma hits da temporada: os leggings continuam (no caso, são meias, que ficam mais opacas até abaixo dos joelhos), os saltos decorados, os colares longos, que parecem caixas torácicas e as costas com decote nadadora ou em Y. Seção didática: hoje, falamos de como achar seu lugar nas salas de desfile de Paris Primeiro, chegue cedo, se o desfile é importante. Em geral, as salas têm formato de arquibancada, são divididas em setores por letras. O convite vem como: Ad15? Você está no setor A, fila d, lugar 15. Quer dizer, no meio do banco coletivo. Chegue cedo, para sentar no seu próprio lugarzinho Conte com a ajuda dos seguranças de terno. Eles ajudam mesmo Não tem lugar marcado? Espere liberarem a entrada dos convites em pé, ponha-se atrás das arquibancadas, a visão é melhor do que nas últimas filas sentadas. Eventualmente, sobram lugares. Se bater um cansaço de esperar, sente. Atrasou? Por favor, não encha a paciência de quem chegou cedo, tentando passar por cima de bolsas, sacolas de revistas e pernas, para procurar um lugar que nem existe mais. Pior ainda, não faça as pessoas levantarem, para ver se o seu nome está escrito no cartão embaixo das bundas delas. Na próxima vez, se o convite diz 10h30 chegue às 10. O desfile só começa às 11h, mas vale esperar sentada. Muito chato, obrigar os outros convidados a se espremerem para você sentar. Por mais que esteja frio lá fora, dentro das salas faz um calor infernal. As pessoas são altas e grandes, carregam casacos, bolsões e guarda-chuvas. Ainda vem mais uma criatura pedindo espaço?

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Terça-feira, Setembro 30, 2008

Nem sempre o mais dificil de uma semana de moda é conseguir os convites para os desfiles importantes. Muitas vezes, eles estão na mão, separadinhos por dia da agenda, assinalados no caderno, e mesmo assim, quem garante que serão entregues na porta da sala do evento? O que pode acontecer segue esta lista:
A feliz proprietária esquece dos convites no hotel, e só nota na hora de entrar no desfile mais importante. Pode ser que a assessoria tenha paciência de ver se o nome está na lista de imprensa.
A desligada vai almoçar, fazer pipi, atender o celular em um canto, e deixa o precioso pacotinho sabe Deus onde. Claro que nem lembra quais eram os convites, para seguir a solução acima
Outra bem comum: roubo! Pura e simplesmente, acontece. Na portaria do hotel, dentro da sacola aberta. Ou puxado da própria mão que se agita, pedindo para ser vista no tumulto da entrada do desfile. Esticou a mãozinha para cima, vupt, sumiu o convite. Ridículo até de explicar na porta
E aqueles endereços distantes, desertos e inóspitos? Nenhuma cidade deste mundo doido é segura para alguém se desbancar para um lugar no fim da linha de um metrô, de onde ainda se atravessa uma ponte e chega a uma festa-desfile que começa às 23h. Ou para um estacionamento transformado em passarela, às 21h. Muitos destes convitinhos ficam em um canto da bolsa de quem não tem à disposição um Mercedes-Benz para circular, mimo do evento.

Interessante é que pelo menos em Paris há um conjunto de 3 salas excelentes, no subsolo do Museu do Louvre, construídas exatamente para os desfiles. Não esqueçamos que o povo da moda tem suas manias, e uma delas é rejeitar lugares que serão usados por outros estilistas. Ok, faz parte da emoção, empreender estas explorações por lugares que, se não fosse para ver desfile, nós jamais conheceríamos. Que me lembre, desde 1980 conheci depósitos de tapetes, muitos estacionamentos, mosteiros, igrejas abandonadas, chateaux que mais tarde viraram condomínios de luxo, estações de trem, estúdios de cinema, teatros antigos, estufas e estádios de futebol. Mas que dá preguiça, dá...

Falo agora do Gaspard Yurkievich, russo que, como o coreano Andrew GN, está rapidamente assumindo um lugar na primeira linha das marcas. Claro, é diferente uma grife que já foi Maison, nascida antes dos anos 80. Estes novos enfrentam um mercado diferente e uma competição maior do que os tradicionais. Fora os profissionais de moda, são poucos os que reconhecem estes nomes, ao contrário de um Dior, um Saint-Laurent, um Givenchy.
Mas o Yurkievich está conseguindo. A sala enche, a coleção tem expressão. Ele é o novo diretor artístico da Rodier, indústria de tecidos francesa que já apadrinhou Poiret, Chanel e Dior. Vejam só, chamaram o russinho, para revitalizar a marca que tinha os twin-sets usados por Brigitte Bardot e Grace Kelly.
Um quarteto e coral acompanharam a cantora Dani Siciliano na canção Why, o tempo todo. No estilo, capas-chemises beges com nesgas pretas, bordados metalizados prata sobre calças curtas e fofas, cinzas. Vestidos soltos e curtos, com alças arredondadas, abotoadas nas costas, onde também balançam martingales. Nas costas, um desenho freqüente nesta semana, o Y. Franjas cobrem rendas pretas sobre forro rosa, em vestidos curtos. O conceito anunciado era a Arquitetura fluida, o chic de alta-costura e a androginia da parisiense. Mas foi mais para anos 1920 e um pouco Déco.
Na complementação, meias curtas e sapatos de altos saltos bisotados ou esmaltados.
Saltos altos são quase obrigatórios nesta temporada. Muito altos, na passarela e na platéia. Sempre como sandálias de tiras grossas, peep-toe e plataformas recuadas. O solado lembra Charles Jourdan nos 70.

Balmain mantém o pique roqueiro, assinado por Christophe Decarnin. Admite até os jeans claros e rasgados, as jaquetas de uniformes, tipo Beatles, e a trilha com Madonna para confirmar o espírito. Tem também os saiotes tutu, que a loura usou no filme Procura-se Suzan deseperadamente. Bom, pode fazer sucesso, mas podia ser mais inovador. Em compensação, John Galliano continua na pole position, ao lado de Karl Lagerfeld, como um criador capaz de recriar indefinidamente uma marca como a Dior, de mais 50 anos. Na tenda toda preta por dentro, incluindo as cadeiras e os cartões com os nomes dos convidados, ele mostrou o Chique Tribal, composto por vestidos curtos, de cintura fina e saia rodadinha por pregas soltas. Eles eram os chiques, os cabelos presos pelo Orlando Pitta em coque-ampulheta, estilo africano, eram o Tribal. Como bom inglês, J.G. não perde espaço sem um tacheado. Frente-única drapeada, tops com pregueado cinturado, tomara-que-caia com franjas. Ou poás irregulares, étnicos.
No colorido, laranja, bege, amarelo-limão, azul-claro, cinza, cinza, cinza. O bordado em barras, visto na egípcia Maria Bishara, no francês Michel Klein apareceu também no inglês Galliano, no vestido rosa com bordados prata. Tribal-decô.
A novidade vem agora: além de continuar com o legging preto, o python e a camurça , Dior aposta na galuchat, a macia e fosca pele da arraia. A pista veio na capa do presskit, em papel preto, fosco, com o mesmo toque macio da arraia.

Intervalo / quem já foi ao Sea World, na Flórida, sabe como é o toque da pele da arraia. Elas estão lá, as pobres, no tanque, todo mundo passa a mão, e reage, ui! É aveludada, mas macia demais / John Galliano não vai mais até o final da passarela, vai até o meio, com seu cabelão longo, liso e louro, colete preto sobre a pele, calça preta e boots, provavelmente Dr. Martens / hoje, enfim, Paris recuperou sua cara. Chove, 15 graus, tudo cinza / as meninas andam de trench-coat pouco acima dos joelhos, ajustado, em preto ou bege. Muito mais sandálias altas do que botas

Muito engraçado, o jeito de adaptar a roupa à demanda do mercado. O que mais vende? Bolsa. Portanto, o casal Marie Therese e François Girbaud pegou a referência na bolsa, suas alças, bolsinhos, fechos e correntes, para inventar calças jeans curtas, de gancho baixo (na rua, ele não existe) e estes detalhes típicos das grandes bolsas que amamos. E mais, as laçadas vermelhas, presentes em vestidinhos, saias e calças. E aqueles bolsos externos das sacolas de jardinagem, formando as saias. Segundo a dupla que assina, há uma calça nômade, dupla e reversível, que representa um novo espaço de moda. Para quem segue o estilo jeans da Marithe Girbaid, aviso que a cor é escura, azul ou preto, em pesos leves.

Intervalo / o mineiro Victor Dzenk trouxe sua coleção barroca, desfilada no Fashion Rio, para o show-room parisiense, no hotel Regina. É a quinta vez que ele vem, e faz parte de um show-room que agrada nos Emirados. ?Já vendemos para a Barney?s de Dubai, mas na estação passada tiramos pedidos também para lojas de Saint Tropez e cidades da Espanha?, comentou Dzenk, que já se prepara para o Minas Trend Preview, com uma prévia do inverno, de 12 a 16 de novembro.

Uma das responsáveis por esta febre de sapatos altos, além de Nicolas Ghesquière na Balenciaga, é a grega Sophia Kokosalakis. Desta vez, os saltos são esculturais, retorcidos, em prata, com tiras em vários desenhos, quase sempre em preto. Na roupa, tops com aspectos de armadura metalizada em ouro velho, ou colares grandões, metalizados envelhecidos, cabelos em coque no cocuruto, também arrematados por um toque metálico. Foram os primeiros dourados até agora, mas em versão grega, isto é envelhecidos.
Sophia faz calcas curtas, largas no alto, saias com dobras verticais, vestidos pretos com o decote recortado como um ponto ajour, preso por clipes metalicos. Até aqui, tudo em cinza, bege e preto. Daqui em diante, turquesa-Mikonos, vermelho-alaranjado e um azul-princesa com borlas na barra.
Dá para notar a identidade da estilista. Assim como Marie Bishara usou o Egito, Sophia marcou com Grécia. Nenhuma ficou com cara de fantasia nem traje típico. E ambas se integraram no espírito da semana. Vá lá, sempre fica um pouco do que se comenta, como os modelos tridimensionais lançados na Balenciaga há mais de um ano. Mas a personalidade acaba se destacando.

Falando nisso, tem o Manish Arora. No terceiro desfile em Paris, o indiano já atrai uma legião para lugares fora do circuito nobre. Desta vez foi o Cirque d?Hiver , que fica em frente à estação Filhas do Calvário. Que nome. O Manish usou o tema do circo para extrapolar em microvestidos estruturados, montados em babados, cristais coloridos, estampas de palhaços e malabaristas e até uma saia-carrossel que girava. Bonito, claro. Por baixo de tanta fantasia, e à frente dos mímicos de preto, que seguiam as modelos, notava-se a base de um verão arquitetado com uma textura de neoprene, com alça em Y e bojos em cor contrastante. Por exemplo, azul com bojo pink. Olha uma moda praia pintando aí, à la indiana.

Domingo, Setembro 28, 2008

A moda pensa na chuva




O domingo serviu de aquecimento para a semana que lança as modas do verão, em Paris. Como saber o que será a estação, se este começo de outono bate os vinte graus, direto, sem aquele tipico céu cinza-esbranquiçado nem a chuvarada clássica (ainda bem, porque cidade com chuva e neve é insuportável)?
Talvez por estas instabilidades e imprevisibilidades metereológicas, as coleções mantenham peças como o trench-coat. Vai que chove? Neste caso, as adeptas da moda podem adotar os fofissimos trench-coats do Michel Klein, que desfilou no suntuoso salão do Grand Hotel. Michel mostrou uma silhueta de cintura fina e saia rodada, montada em pregas, em variações das capas em dourado, cáqui com tacheados, até sem mangas, sempre com o comprimento pouco acima dos joelhos. Os vestidos seguiram as capas, com estampas de flores rosas, iazes, margaridões, com decotes quadrados, tomara-que-caia ou ombro só, um lado preso com alça passada em ilhós. A parte mais noite se dividiu em longos de grega, com drapeados, vestidos curtos em crochê preto e o que mais gostei, a mistura de regatas e camisetas em malha fina, com saias longas prateadas e um canguru ou bolero de tricô. Um contraste de casual e brilho, muito moderno. Ao fundo, trilha sampleada de James Bond, com Diamonds are forever.

A Anne Valérie Hash transformou o shape de vestido-coluna da Madame Grés, e usou as técnicas de drapeados, retorcidos e nós em modelos em jérseis acinzentados. No fundo da passarela, panos drapeados ondulavam como se ventasse, havia mesmo baruho de ventania. As modelos de cabelos com aparência molhada tinham sombras iridescentes subindo pela testa. Além dos vestidos, há macacões e calças com drapeados laterais e entalhes de transparências. As costas mostram o corpo, com decotes sustentados por cordões torcidos de jérsei. No meio dos tons de cinza e rosa-velho, há um grená muito bonito.

Lie Sang Bong usou o Cubo e o Triângulo como referências, para roupas com volumes geométricos. São vestidos estruturados e macacões, alguns com golas e ombros grandões, superdimensionados. Lembrou o velho brinquedo Cubo Mágico, que voltou à moda, ou os caleidoscópios antigos e também os modernos programas de 3D dos computadores. Parece conceitual demais? Mas Lie, que será embaixador cultural da cidade de Seul no ano que vem, sabe editar bem o desfile. Uma entrada mostra um longo folheado, em tons de azul; em seguida, entra um curto, onde o folheado é representado por estampa nos mesmos tons de azul. Nos modelos de golas ou mangas exageradas há lembranças da elegância de Maisons parisienses. O estilista coreano não esquece do seu país, mas trabalha nos padrões da moda francesa.
Confesso que desconheço a origem da grife Lutz. Deve ser suíça ou alemã, a julgar pelo número de convidados falando alemão na pequena sala do Louvre. E pelo jeito seco da roupa, com uma sobriedade em pretos e brancos quebrada por eventuais vermelhos e movimentada por pregas e panejamentos. Mais uma vez, um trench, desta vez em versão curta, sobre saia grafite.
fotos Ines Rozario

Intervalo / tem menina de shorts na rua. Ou de Havaianas. Que setembro é este? / fechou a loja que vendia miçangas e peças para fazer artesanato, a Loisirs et Création. Que pena. Bom, eu gostava de olhar as contas coloridas, mas nunca comprei nenhuma. Devia ser esta a reação média / parece que estamos no Brasil: a rua é jeans-total. Nunca vi tanta gente usando, em Paris. Os homens adotaram a skinny, direto / o lenço palestino continua nos pescoços. Só no Brasil foi decretado fora de moda / no dia 9 acontece o desfile do projeto Moda Fusion, também no Louvre. Serão 30 looks criados por estilistas franceses e confeccionados por pólos brasileiros

Sábado, Setembro 27, 2008




A semana parisiense de desfiles começou quente, no sentido climático do termo. Céu azul, 20 graus, só para contrariar os convidados e credenciados que chegam do mundo todo, cheios de casacos nas bagagens. Normal, já que Milton dos Santos, brasileiro residente em Paris, comentou que o frio andou pegando feio por aqui, há poucos dias. ?Minha cor estava tão branco-escritório, que fiz umas sessões de UV para melhorar?, comentou diante da surpresa dos amigos de platéia quando viam seu bronzeado. Milton vem de uma maratona de trabalho, pois recebeu um grupo de marcas brasileiras que integraram uma ala no espírito do Fashion Business, dentro do Salão do Prêt-a-Porter. O resultado da empreitada foi muito bom, já que os brasileiros venderam para lojistas de várias cidades francesas. Alguns venderam até o mostruário. No próximo Fashion Rio a rota se inverte, marcas francesas participarão do Fashion Business. ?Não vamos levar nem lingerie nem moda praia, setores que o Brasil domina e lidera. O foco será no glamour, que é o que todos esperam da moda francesa?, anunciou Milton.

O evento Rio Summer, organizado por Nizan Guanaes no Rio, em novembro, desperta a curiosidade da imprensa que cobre o circcuito de desfiles internacionais. Até agora ninguém do grupo de fotógrafos que está sempre a postos nas salas dos shows foi convidado. Alguns perguntam a razão do possível comentado convite a Kate Moss, para desfilar ou assistir. ?Não é para mostrar a moda do Brasil para o mundo? Por que convocar a Kate??, perguntou um francês, encarapitado sobre sua maleta de equipamento, antes de um dos desfiles de hoje, sábado.

Mas vamos a algumas coleções desta semana que começa. O que se exige de uma apresentação, atualmente? Que seja bonita, rápida e conte uma história. Como fez Marie Bishara, que concentrou a criação em linhos, algodões, jérseis e sedas, tecidos para modelos de cortes simples, curtos e ajustados, ou com drapeados enfeitados por águias bordadas no contorno dos decotes. E contou histórias do Egito, através de bordados com pedras semipreciosas e turquesas, aplicações de flores do Nilo, bordados em fios dourados ou prata, na técnica do sul do Egíto, chamada Talli. Hieroglifos e chaves da vida foram motivos freqüentes na decoração dos modelos. Nas cores, desfilaram na bela sala da Escola do Louvre os areias do deserto, os turquesas, dourados e os esverdeados dos tesouros egípcios.

Marie Bishara contou sua história, sem apelar para excesso de fantasia. As modelos eram claras, de cabelos alourados, longos e ondulados; sem sombras azuis ou traços negros nos olhos. Nada de franja de Cleópatra, apenas algumas sandálias rasteiras de tiras amarradas nas pernas (que teimavam em desamarrar) lembravam os trajes do Nilo. Os sapatos eram Pring, nome de uma beldade asiática nascida em Bancoque, sediada em Paris, com estudos de dança em Berkeley (Califórnia), que chegou portando seu cachorrinho e distribuindo folhetos da marca. Bom, tem que dar um jeito de segurar estas tiras, Pring. Os outros sapatos eram interessantes, com solado vermelho (estilo Louboutin) e adereços lembrando Prada.
A coerência do show chegou à trilha, que de vez em quando alternava o ritmo de desfile com árias da ópera Aída, que é passada no Egito. Ainda bem que a história acabou aí. Os elefantes, tradicionais na encenação da ópera, não entraram na passarela.







Outra apresentação quase didática, de tão coerente, foi a de Ivana Helsinki, assinada por Paola Suhonen. O local, surpreendente, demonstrou que a vida em Paris é boa e luxuosa até embaixo da ponte: pelo menos, se for a ponte Alexandre III, onde um conjunto de salas embaixo dos arcos tem sido requisitado para eventos milionários. Lá, passou a lenda russa do Tigre Solitário, motivo das estampas da coleção. A cabeça do tigre, ele inteiro, ou um monte deles, apareceram em diversas técnicas de estamparia da empresa Nanso, fundada em 1921, mas super-moderna, na terra da Nokia. Como Bishara, Paola priorizou modelos simples, a maioria vestidos e túnicas curtas, em algodões eticamente desenvolvidos. Alguns longos, cortados em barras ou com caudas curtas, de alcinhas. Decotes em forma de coração, assimétricos, com babados e modelagens com bojos embutidos marcaram a coleção. Mas foi tigre demais, muita roupa, muita estampa igual. Podia ter sido um terço do que desfilou.
Nos complementos, outra revelação finlandesa, os sapatos Pertti Palmroth, feitos à mão na cidade de Tampere, há 90 anos. O modelo que acompanhou o Tigre foi criado por Pentti, pai do Pertti, em 1930. Foi refeito e adaptado a seis variações com colorido de década de 80.
Outro acessório, a série de colares com pingentes de cerâmica porosa, da Kaipaus. Este material contém nanofrago, elemento que controla a emissão de perfumes. Uma boa idéia.

Há quem seja a própria história, como a portuguesa Fatima Lopes, que celebra 10 anos de desfiles em Paris com uma festa no Folies Bergere. Ou a colega jornalista Suzy Menkes, que nesta temporada ganha homenagem com uma festa e exposição no Museu Galliera, para comemorar os 20 anos de trabalho nas páginas do jornal International Herald Tribune. E a estilista ruiva Sonia Rykiel também faz festão e aniversário, marcando 40 anos a serviço da moda.
Foto Ines Rozario

Sexta-feira, Setembro 26, 2008

Parece que a sintonia entre as pesquisas de tendencias do Moda + do Senac Rio e as previsoes do salao Premiere Vision esta muito boa. Varios temas ja discutidos nos seminarios do Rio de Janeiro se repetem no salao mais prestigioso de Paris. Como a Abstraçao, o Drama, as cores complicadas, os verdes azulados, os rosas-magentas, os violetas. As ondas estao no ar, so pode ser esta a conclusao.
Mas o salao frances enfatiza a força das rendas, tanto as classicas francesas da Solstiss ou da Halette, como as incrivelmente modernas, japonesas. Marca as cartelas de pretos, cinzas e vermelhos, os tecidos com relevos, os dublados e esculpidos. Quer dizer, mais um lance que fez parte dos nossos cadernos, a Arquitextura.
Isto é bom, porque indica um caminho de independencia, sem esquizofrenia em relaçao à moda global.
Os desfiles que começam amanha, sabado, demonstram o vale-tudo que vai predominar. Temos anunciadas inspiraçoes no Egito, na India, em muito jeans. Vamos ver.

Intervalo / Paris esta a 20 graus durante o dia, baixa para 15 à noite. Ideal para pequenos trenchcoats em tecido de algodao, usados quase como vestidinhos. Muito, muiito jeans, como ha muito nao se via. Mais skinny para os homens, flare para as garotas / os globos de dança dos anos 80 enfeitam as galeries Lafayette. Esta decada é muito recente, ainda tem muita gente com peças autenticas nos guarda-roupas. O que acontece? Circulam senhoras de sombra cintilante, blazers de ombreiras e cabelos desfiados. Ou outras, mais avançadas para a época, ja no espirito japones, de casacos longos pretos. Totalmente passadas, as pobres. Moda que a gente ja usou, nao usa mais / claro que estou em teclado frances, de raros acentos, o Q no lugar do A, estas gracinhas. Espero que este detalhe tecnico nao impeça a compreensao das noticias

Sexta-feira, Setembro 19, 2008



Oskar Metsavaht ganhou o título de cidadão do Rio de Janeiro, em cerimônia nos espelhados salões da Cãmara Municipal. Um privilégio para ele, que faz da Osklen uma bandeira para várias causas ambientais, sem deixar de lado a sofisticação inerente à moda. E um privilégio para quem foi convidado, principalmente os considerados padrinhos. Um convite que recebi quando me preparava para dar aula de figurino em Paulínia, e confesso que fiquei bem feliz por ter sido lembrada.
Foi bom ver que os amigos de verdade enfrentaram o trânsito de sexta-feira, no fim da tarde e o movimento que transforma a Lapa e seus arredores em point da cidade. Na mesa principal estavam também Lenny Niemeyer, amigona do Oskar (ela tinha que sair rapidinho, porque depois ia para Paraty); Cynthia Howlett (que foi patrocinada pela Osklen nos anos 90), Carlos Leonam, Marcelo Andrade e Mario Novaes, amigos e companheiros de aventuras esportivas, o embaixador Afonso Arinos e a vereadora Aspasia Camargo (vestindo um dos casacos de listras com paetês da coleção de inverno). Na platéia, a Nazaré Metsavaht, casada com o gaucho-carioca Oskar, os pais dele, a irmã. o irmão, que família chique. Murilo Tinoco compondo os grupos para as fotos, Cristina Rio Branco supervisionando a divulgação de imprensa.
Quando recebeu o diploma de cidadão carioca, Oskar levantou o papel e comentou "aha!", como bom esportista. Estava em versão cerimônia, de terno sob medida assinado pelo Ricardo Almeida. "O estilo foi pensado por mim, este corte mais estreito", comentou acerca do terno em fundo cinza. E avisa que a coleção de inverno vem com novidades: justamente uma alfaiataria.
Muita gente esnoba este tipo de homenagem, alega que é uma ação política supérflua. mas se tem alguém que mereça, pelo tanto quer curte e celebra esta cidade, é o Oskar Metsavaht. E ele soube valorizar o título. Ninguém deixa de ser gaúcho por isto, mas todos gostariam de serem reconhecidos por esta cidade normalmente tão blasée. É meio como estourar na Broadway...
Ah, e tem mais: a Osklen vai manter o parque Garota de Ipanema, que andava virando um point da dengue, em pleno Arpoador.

Nas fotos, eu e o meu afilhado (ele é que diz) e ele, lá no alto, de corpo inteiro, com o terno de shape slim, do Ricardo Almeida.

Quinta-feira, Setembro 18, 2008

A moda descobre a beleza da agricultura

Fotos Ines Rozario



Poucas vezes vi dar certo a união entre trabalhos regionais, governo e moda. Uma destas exceções foi a prévia da quinta Feira da Agricultura, que vai se realizar de 23 a 30 de novembro no Riocentro (Rio de Janeiro). Durante esta semana, os visitantes verão todo tipo de produto trazido por mais de 500 expositores, representantes da agricultura familiar, que formam mais de 90% do setor no Brasil. Teremos desde pimentões e tomates até paçoquinhas, cocadas, palhas, cachaças, licores, sucos e aquela banana passa, entre outras tentações. Mas a prévia, vista na Marina da Glória, aconteceu como um bom desfile de moda, organizado pela Eoysa Simão.

Na entrada, um portal com pencas de berinjelas, pepinos e pimentões com iluminação condizente. Na passarela, criações de designers como Jum Nakao ? destaque para a bolsinha multicolorida, de sementes e os colares de sementes com bambu -, Renato Loureiro e seus vestidos em patchowork de flores rebordadas e as bolsas de fibra de buriti, Ronaldo Fraga e as aplicações de pássaros e folhas sobre vestidos brancos e os colares de crina. Também fizeram parte do grupo de designers: Adriana Tavares, Amauri Marques, Fernando Maculan, Heloisa Croco e Virgínia Scolti. As modelos eram quase todas mulatas, havia apenas uma lourinha e uma castanha, para atender ao pedido do ministério, de ter um elenco com a cara do Brasil.
Antes do desfile, ouvimos um speech oficial, assistimos a uma apresentação de um repentista, o Antonio Ribeiro da Conceição, todo de terno branco, vindo da Bahia. Tricoteiras cantaram, na boca de cena.

O quê? Pela descrição parece programa folclórico? Engano de vocês: nunca vi um desfile com estes intuitos sócio-rurais chegar tão perto de um resultado digno de uma mostra para o mundo. Talvez as modelos precisassem de um pouco mais de experiência, gostaria de saber a procedência das peças desfiladas, na hora que passassem. Mas ficou muito bom, demonstrou o poder da moda de realçar belezas e descobrir originalidades.
Tomara que a montagem da feira no Riocentro corresponda a esta prévia. E que tenha muitas bananinhas e paçoquinhas, claro.

Na fila A: dei a sorte de sentar ao lado do Renato Loureiro, querido estilista mineiro, um dos pioneiros do Grupo Mineiro de Moda, dos anos 80. Atualmente, ele faz coleções para apenas 20 lojas-clientes, peças mais intelectualizadas, com produção máxima de 6 a 8 peças por modelo. Mas não é só isso. "Continuo trabalhando com reciclagem, tenho feito coisas com a lona e as esteiras da Vale do Rio Doce. E sigo com diversos projetos profissionais, como a mudança dos uniformes da Localiza. Troquei aquele verde por um tom mais escuro, mais elegante", contou Renato.
Na saída encontrei o Jum Nakao,que fez colares de sementes e bambu com artesãs de Terra Preta, interior do Amazonas. "Também lancei uma coleção de roupinhas de bebê feitas por bordadeiras que bordam cantando canções de ninar, lá de Santa Rita, na Bahia".
Agora, por favor, me dêem razão: não é irresistível, saber de tantas histórias? E vocês não viram a desenvoltura do Antonio Ribeiro, cantando e apresentando as atrações da noite. Foi impecável, a prévia dos pequenos agricultores com a moda dos grandes designers.


Look do dia: certissimo para esta época incerta, o conjunto 
de calça estreita, de malha ou jeans, camiseta listrada e
 casaquinho com decote arredondado, arrematado por laço na frente. 
Da Huis Clos (www.huisclos.com.br)